A primeira reunião de 2026 dos comitês Editorial e de Programação (Comep) e de Participação, Diversidade e Inclusão (Cpadi) da EBC foi também a última do ciclo de apresentações das áreas da empresa aos conselheiros, com a Superintendência de Comunicação Digital e Mídias Sociais.
Antes da apresentação do superintendente Fernando Miranda e sua equipe, a presidenta do Cpadi, Ana Fleck, deu as boas vindas ao novo diretor geral da EBC, David Butter. Ele se apresentou, informando que atua profissionalmente desde 2001, com passagem pela UFRJ, TV Globo, Globo News e produtora própria.
“Fiquei honrado com o convite do André Basbaum, um amigo querido com quem trabalhei em projetos paralelos na TV Globo. Agradeço essa oportunidade de fechar o ciclo pessoal, de voltar para o serviço público. Quero reafirmar a importância do diálogo e da troca sincera com vocês, em conjunto podemos construir o futuro da comunicação pública”, disse David.
Ana pediu a aprovação de um voto de louvor para os jornalistas da EBC Guilherme Strozi e Victor Ribeiro, pelo prêmio APCA recebido pelo programa Tarde Nacional São Paulo, da Rádio Nacional. A conselheira Cibele Tenório destacou que o programa é um farol a ser seguido neste ano em que a Rádio Nacional completa 90 anos.
“Ele destoa do que tem sido feito nas outras praças. Mistura cultura e privilegia a música brasileira contemporânea, o programa ganhou espaço por ter conseguido ser moderna e atual junto com a tradição”, destacou Cibele.
Ana informou que três conselheiros do Cpadi foram nomeados para o Conselho de Comunicação do Congresso: Rita Freire, Samira Castro e Ramênia Vieira.
Rita reforçou o voto de louvor ao Tarde Nacional São Paulo e pediu que a moção seja mais descritiva sobre o trabalho realizado pela equipe do programa, “para destacar esses pontos, que tem muito do que nós queremos para a comunicação pública. Não só um voto de louvor pelo prêmio, mas fazer uma descrição do que pode e deve ser feito nas rádios da EBC”.
Sobre o Conselho de Comunicação do Congresso, Rita destacou o compromisso de pautar temas da EBC lá. “Ainda vamos tomar posse presencial, mas a gente leva os compromissos da EBC no coração”.
Sudim
Na apresentação da Superintendência de Comunicação Digital e Mídias Sociais, Fernando destacou que ele é funcionário da casa e lidera uma equipe de 43 pessoas, sendo 20 empregados do quadro, 19 contratados via cargos comissionados e quatro terceirizados via contratos do Sem Censura e da TV Brasil Internacional.
De acordo com ele, a equipe cuida de mais de 30 perfis nas redes sociais, como Instagram, Tik Tok, Facebook, X, Youtube, Spotify e Kwai. “Nós atuamos de acordo com a missão da EBC, da formação crítica do cidadão, focamos na discussão da sociedade e no combate à desinformação, entregando conteúdos relevantes e de interesse público”.
As equipes são separadas para diferenciar os perfis gov dos veículos públicos, “para trabalhar separadamente a linha editorial”. Além de divulgar conteúdos dos veículos, a equipe da Sudim também produz conteúdo próprio. Nos perfis da TV Brasil o foco é o regate de material de acervo e cortes dos programas “que viralizam e furam bolhas, atingindo um publico maior que o da própria TV Brasil”.
Na Agência Brasil, a Sudim transforma os conteúdos jornalísticos em cards e produz vídeos de prestação de serviço, “com a pluralidade e diversidade contempladas na criação de conteúdo”. Na Rádio MEC são priorizados os conteúdos de acervo e cobertura de eventos, como o Rio das Ostras Jazz & Blues e o Festival de Música da Rádio MEC.
Os perfis da EBC são híbridos, reunindo conteúdos dos perfis dos veículos e notícias sobre a própria EBC. De acordo com a gerente do perfil EBC, Marcela Rebelo, a ideia é “refletir a diversidade do que a EBC produz, mas fazemos conteúdos próprios também. Cultura, esportes, política, presidente, serviço, políticas públicas, temos um pouquinho de tudo no perfil da EBC”.
O perfil da Rádio Nacional é focado em música, com trechos de programas e entrevistas com artistas. Foi lançado há cerca de duas semanas o perfil do Radiojornalismo no Instagram. De acordo com Fernando, a estratégia de separar os conteúdos musicais dos jornalísticos foi pensada para não haver concorrência entre eles no mesmo perfil. Marcela explicou que há uma dificuldade em fazer posts com material do radiojornalismo pela falta de imagem nas reportagens, já que as redes sociais pedem conteúdos mais visuais.
No Youtube, o canal da Rádio Nacional, onde já eram postados os podcasts da Radioagência Nacional com interpretação em Libras, vai ser ampliado com o programa diário do Datena e com o semanal esportivo Trio de Ataque. Também têm sido trabalhados reals e vídeos verticais para o Youtube. “Nós defendemos também que pelo menos um jornal da Rádio Nacional seja pensado para o Youtube”.
Os perfis do Canal Gov são focados na agenda do presidente, transmissões ao vivo de atos do presidente e de ministros e produção de conteúdos próprios com tutoriais sobre como acessar as políticas públicas. Para fomentar o tráfego de visualizações para além das redes sociais, são disponibilizados os links para as páginas de conteúdos dos veículos na bio do Instagram e nos posts das outras plataformas.
No Spotify, a Sudim trabalha com a divulgação dos “podcasts” dos programas de TV Sem Censura e DR com Demori e das entrevistas para as rádios do Bom dia Ministro.
Os dados apresentados mostram que os perfis da EBC têm mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais e mais de 3 bilhões de visualizações no ano de 2025. Entre as instituições federais, o perfil da TV Brasil é o que teve mais interações no Instagram, superando os 47 milhões, ficando à frente do perfil Governo do Brasil. No Facebook, a TV Brasil também fica em primeiro lugar, com mais de 15,7 milhões de interações em 2025.
Marcela explicou que a Sudim mudou a lógica de trabalho nas redes sociais, passando de local para divulgar o trabalho feito pelos veículos para meio de comunicação para levar a EBC mais longe, além de seu público habitual.
“Por muito tempo as redes sociais serviam para colocar os conteúdos da casa, a gente trabalhava pra dentro. Agora a gente trabalha pra fora, pra levar a EBC pra longe. Hoje, os brasileiros se informam pelas redes sociais. O público se informa pelas redes sociais. A gente pega o conteúdo e transforma em linguagem digital. Tem que modernizar e fazer chegar mais longe, mas a gente quer fazer mais e faz o que é possível”, explicou a gerente.
Debate
A conselheira Rita Freire lembrou do momento estratégico que vive a comunicação pública no Brasil, em ano eleitoral e diante da supremacia das big techs que aderiram à extrema direita no mundo, e questionou como a EBC se prepara para enfrentar este cenário.
Fernando disse que a Sudim está atenta aos movimentos mundiais, de compra e venda das plataformas, além da lógica dos algoritmos. Mas que não pode deixar de publicar os conteúdos da casa, com uma curadoria própria e, muitas vezes, fazendo rechecagem das informações.
O conselheiro Linconl Macário se disse impressionado com os números apresentados e perguntou sobre a possibilidade de pagar por impulsionamento e também alguma forma de se beneficiar da monetização oferecida pelo Youtube.
Fernando explicou que a estratégia é não oferecer dinheiro para as plataformas e apostar no crescimento orgânico dos perfis. Sobre monetização no Youtube, disse que há restrições legais quanto ao tipo de publicidade possível nos veículos da EBC.
Cibele elogiou a equipe que cuida dos perfis da Rádio Nacional e apontou várias questões. Sobre o pagamento de direitos autorais de música pela EBC e conteúdos derrubados do Youtube por terem música; o equilíbrio entre conteúdo musical e jornalístico nos perfis da Rádio Nacional, já que no Instagram é mais música e no Youtube será usado para jornalismo; a tendência governista e de pouco espaço para a sociedade civil nos posts da Agência Brasil; a supervalorização dos perfis EBC, no lugar de apostar nos veículos; a confusão de perfis no Spotify ligados à EBC e nem todos administrados pela Sudim; e as denúncias de assédio moral feita por seis colegas do setor, além do fato de pessoas que trabalhavam na Sudim terem sido colocadas à disposição de outras áreas, apesar da falta de pessoal alegada.
Fernando disse que o setor tem conversado com o Youtube sobre os direitos autorais que a EBC tem para os conteúdos transmitidos, explicando que vários canis pertencem à EBC. Marcela disse que o trabalho nas redes é sempre baseado na página da Agência Brasil, mas que tem buscado fazer reuniões para ajustar a linha editorial. Fernando afirmou que pode ter ocorrido problemas de assédio na gestão anterior da área, mas que agora “o clima é muito bom dentro da Sudim”.
A conselheira Karina Barbosa perguntou se há alguma discussão a respeito de sair do X, diante da falta de moderação e abusos cometidos na rede; quais os critérios para escolha de fake news ou desinformação a serem combatidas; e se há alguma estratégia de divulgação de conteúdos para além das redes sociais, como Newsletter.
Fernando disse que ainda não foi feita nenhuma discussão sobre a permanência ou não no X, mas que trata-se de uma rede que não fornece dados de acesso de forma gratuita. Não respondeu sobre fake news e disse que Newsletter e outras ferramentas não seria responsabilidade da Sudim.
A conselheira Akemi Nitahara perguntou como é feita a escolha editorial dos posts, já que na Agência Brasil se verifica um excesso de conteúdos governistas e na TV Brasil muitos cortes do Sem Censura; porque a Sudim divulga podcasts que são na verdade programas de TV e não divulga os podcasts casa, feitos pela Radioagência Nacional; sobre a demora para se criar um perfil para o radiojornalismo, já que se trata de uma demanda antiga do setor e as reportagens, assim como os podcasts, não são disponibilizados no aplicativo Rádios EBC; por que o programa Como Nascem os Heróis, apresentado pela drag queen Rita Von Hunty, não teve divulgação; e se pessoas que trabalham na Sudim e não são do quadro tiveram capacitação sobre comunicação pública e serviço público de mídia, “porque parece que sobre comunicação governamental está bem entendida”.
Fernando explicou que a Sudim não é responsável pelos aplicativos. Sobre os podcasts da Radioagência, há uma conversa em andamento para que sejam mais divulgados na página da Agência Brasil. Sobre o Como Nascem os Heróis, disse que a demanda não chegou para o setor. E que a Sudim só tem conseguido fazer as entregas apresentadas graças ao pessoal contratado como cargo comissionado, devido à falta de pessoal na EBC como um todo. “Eu sou da casa, é de meu interesse ter mais gente da casa. A gente tinha mais gente, agora tem menos, faz parte da dinâmica”.
O presidente do Comep, Pedro Rafael Vilela, também questionou sobre o viés governista do perfil da Agência Brasil, em detrimento de matérias mais elaboradas e com a sociedade civil, e se os trabalhadores do setor têm acesso aos dados sobre visualizações e compartilhamentos. “Faltaram coisas, por exemplo, da COP, a Marcha dos Povos, as manifestações dos indígenas, a COP foi de mobilização popular. Mas do que eu percebi no perfil da Agência, vi muito a coisa dos discursos oficiais”.
Fernando negou tendência governista no perfil da Agência. “A gente dá governo sim, mas fizemos um comparativo da home da Agência e do nosso feed e não viu essa distorção. De maneira geral, nossas redes têm amadurecido, eu não consigo voltar no tempo, mas a gente pode pensar daqui pra frente. Por exemplo, o título muitas vezes não é o mesmo da Agência, porque pode não dar engajamento. A gente não consegue dar tudo também, mas damos 95% do que sai na Agência”.
Marcela informou que as quatro pessoas que trabalham no perfil da Agência Brasil são jornalistas antigos da casa.
Ana Fleck finalizou o debate lembrando da importância de se divulgar o trabalho dos comitês de participação. “A gente debate temas importantes da comunicação pública e precisava ter um canal direto para divulgar as atividades”.
A assessora de participação social, Eloisa Galdino, lembrou da proximidade com a Sudim e que tem trabalhado com a comunicação interna e integração com as diretorias.
A ouvidora, Roberta Dante, informou que as análises críticas têm sido feitas e que a deliberação que proibia a divulgação foi revogada pelo Conselho de Administração, faltando apenas a assinatura dos conselheiros para poder implantar. Disse que a Ouvidoria continua recebendo muitas reclamações sobre problemas de sinal da TV e das rádios e que tem tido bons retornos das áreas a partir das análises críticas encaminhadas.
Câmaras Temáticas
Os comitês aprovaram a criação de três Câmaras Temáticas para otimizar o trabalho da participação social na EBC: Câmara Temática de Jornalismo; Câmara Temática de Programação; e Câmara Temática de Processos Institucionais, para acompanhar as questões que envolvem as estratégias políticas e de gestão da EBC e da comunicação pública.
