Efemérides nem sempre rendem uma boa matéria jornalística e normalmente exigem muita criatividade dos profissionais para buscar uma nova abordagem sobre o tema. No dicionário online, a definição de efeméride é “fato importante em determinada data; a comemoração desse fato, dessa data”. 1º de abril é mundialmente conhecido como o Dia da Mentira, conforme bem explicou uma reportagem da Agência Brasil em 2024:
“A tradição de 1º de abril nasceu na Europa no século XVI. Em 1582, diante do novo calendário cristão determinado pelo papa Gregório XIII, os mais resistentes à mudança teriam mantido as festas de ano novo na data antiga que variava do final de março ao dia 1° de abril. Assim, o dia ficou marcado como um ‘ano novo de mentira’, fazendo pegadinhas com compromissos marcados para essa data”.
Mas no Brasil, desde 1964, a data carrega uma simbologia muito mais pesada. É o dia do Golpe Militar que mergulhou o país em sombrios 21 anos de um regime de exceção. Até hoje, ainda se ouve a referência à data na forma do eufemismo “Revolução de 1964”. E, nesse caso, é sempre bom lembrar, para não esquecer. Para nunca mais acontecer.
Os veículos públicos da EBC fizeram seu papel e publicaram algumas reportagens relevantes sobre o tema, que continua rendendo descobertas e novos enfoques 62 anos depois. Confira as publicações da Agência Brasil:
- Familiares recebem pertences de pianista morto pela ditadura argentina;
- Caminhada do Silêncio em São Paulo denuncia violência de estado;
- Banda que teve disco censurado na ditadura será indenizada pelo Estado;
- Documentos do antigo Dops são transferidos para arquivo público do RJ;
- MPF abre inquérito para que prédio do DOI-Codi vire centro de memória;
- Evento debate importância dos arquivos para preservar memória de 1964;
- Pesquisa identifica cela em que ditadura simulou suicídio de Herzog;
- Falta de política de Estado dificulta busca por desaparecidos forçados.
E na Radioagência Nacional:
- MPF pede urgência para salvar acervo da ditadura no Rio de Janeiro;
- Líder indígena morto na ditadura é anistiado 43 anos após sua morte;
- Banda que teve disco censurado na ditadura será indenizada pelo Estado;
- Viva Maria relembra Eunice Michiles, a primeira senadora brasileira;
- MPF busca transformar antigo prédio do DOI-Codi em centro de memória;
- 62 anos do golpe militar: busca por mortos e desaparecidos continua.
Perturbador
A nova temporada do podcast Perdas e Danos – futuro interrompido, também foi lançada no dia 1º de abril, com o tema Quem lucrou com o regime de 64.
“Uma investigação jornalística feita pelas repórteres da Radioagência Nacional Eliane Gonçalves e Sumaia Villela joga luz sobre a face econômica da ditadura militar brasileira (1964-1985), revelando como o regime operou como uma plataforma de lucro para empresas nacionais, multinacionais e governos estrangeiros. A segunda temporada, Passado Leiloado, do podcast Golpe de 1964: Perdas e Danos, destrincha em cinco episódios semanais os mecanismos de ‘captura do Estado’ por entes privados e o rastro financeiro que sustentou o período de exceção”.
O primeiro episódio alerta: “o que você vai ouvir, pode ser perturbador”. A imersão investigativa expõe detalhes de como a Suíça colaborou com a ditadura no Brasil e os interesses de governos estrangeiros no lucrativo regime. A revisão histórica vai na direção contrária à daqueles que querem minimizar os horrores da ditadura brasileira, e aprofunda na estratégia utilizada pelos grupos de resistência para conseguir expor internacionalmente o que se passava no Brasil.
Num ótimo exemplo de conteúdo crossmídia, o episódio rendeu duas reportagens em texto publicadas na Agência Brasil: Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura e Neutralidade autoritária: Suíça foi destaque no apoio à ditadura. Também encontramos um ótimo post no Instagram da Agência Brasil sobre o podcast.
Os próximos episódios estão previstos para sair sempre às quartas-feiras. A primeira temporada do Perdas e Danos, lançada em 2024, no marco dos 60 anos do golpe, entrou para a história da EBC e se tornou referência, utilizada inclusive como material didático, conforme relatos que chegaram à Ouvidoria da EBC.
