Criação de Centro de Pesquisa em Comunicação Pública ganha apoio de entidades acadêmicas

A reunião conjunta do Comitê Editorial e de Programação (Comep) e do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi) ocorreu nesta quarta-feira, dia 29 de abril. A presidenta do Cpadi, Ana Fleck, informou que os integrantes dos comitês foram convidados a participar do Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que será realizado nos dias 18 e 19 de maio, no Rio de Janeiro/RJ, bem como do 7º Simpósio Nacional do Rádio, uma parceria da EBC com a Intercom, na sequência do Encontro, que marcará também o começo das comemorações dos 90 anos da Rádio Nacional.

O conselheiro Welder Alves, da rede amazonense Encontro das Águas, e a assessora especial de Participação Social da EBC, Eloísa Galdino, foram convidados para participar de uma mesa no Encontro da RNCP sobre Participação Social na Comunicação Pública. Eloísa explicou que a Universidade Federal do Sergipe (UFS) também foi convidada a compor a mesa, para mostrar a experiência que instalou, em janeiro, o seu Conselho Editorial da Rádio e TV.

O presidente do Comep, Pedro Rafael Vilela relatou que a nova presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, esteve na sala onde ocorreria a reunião para cumprimentar os conselheiros e disse ver com satisfação as contribuições que venham dos Comitês e falou sobre os desafios da gestão, não podendo aguardar pelo início da reunião.

 

Grupos de Trabalho

Ana Fleck apresentou os documentos orientadores para os grupos de trabalho que foram criados na reunião anterior. São eles: Acessibilidade, coordenado pela conselheira Karen Rezende; RNCP (Wélder Alves); Representatividade e Diversidade (Janaína Oliveira); Programação infanto juvenil (Juliana Doretto); Manual de Jornalismo (Karina Gomes) e Ouvidoria (Cibele Tenório). Ana sugeriu que cada GT apresente o documento final na reunião conjunta de julho, prevista para o dia 29. “Nós pensamos em fazer um seminário para apresentar o documento final, solicitamos à presidenta da EBC e à assessoria de Participação Especial para tentar viabilizar isso”.

Pedro explicou que a expectativa é que a partir desses grupos e também das Câmaras Temáticas seja produzido um diagnóstico sobre a EBC, para apresentar a toda a diretoria num evento presencial.

Eloísa lembrou que a presidenta da EBC pretende fazer um fórum com os gestores para definir as prioridades da empresa e que seria oportuno esperar esse evento para fazer o seminário de encerramento do ciclo do primeiro ano dos comitês, podendo deixar para agosto.

A conselheira Juliana Doretto parabenizou as iniciativas e solicitou uma orientação sobre o que deve ser apresentado como resultado do trabalho dos GTs. Também questionou que destino o trabalho teria dentro da EBC. “Porque a ideia é que as pessoas que estejam nas cadeiras de comando participem e ouçam o que vamos dizer. A presidenta estará presente? Essas apresentações terão que destinos dentro da EBC? Que isso seja desenhado desde já”.

Pedro se comprometeu a desenhar um modelo. “A ideia é uma análise-texto com o diagnóstico e recomendações”, disse ele. E acrescentou que os documentos podem ser transformados em resoluções para serem encaminhados para as áreas responsáveis.

A conselheira Akemi Nitahara sugeriu a leitura de documentos elaborados anteriormente sobre a EBC, como o Caderno de Propostas do Seminário Reconstrói EBC e a Comunicação Pública, de abril de 2022, e o relatório setorial de comunicação do Gabinete de Transição de Governo, de dezembro de 2022. Além de um artigo de sua autoria em parceria com a colega Isabela Vieira, em que tratam do que foi implementado na EBC nos dois primeiros anos do governo Lula 3, a partir das propostas desses dois documentos.

Eloísa informou que a presidenta “ficou entusiasmada” com a ideia e sugeriu que o documento final seja apresentado antes para a Diretoria Executiva, “para chegar no seminário já aprovado”.

 

Centro de Pesquisa

Ana introduziu o tema em debate nos comitês e na Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública sobre a criação de um Centro de Pesquisa em Comunicação Pública e explicou que alguns dias antes ocorreu uma reunião com pesquisadores da UFF, UnB, UFJF e outros integrantes da Frente, como a ex-ouvidora da EBC Joseti Marques.

Akemi apresentou as ideias para o projeto e uma carta de apoio assinada por grupos de pesquisa de universidades como LapCom e Emerge e associações científicas como Intercom e Socicom.

“A proposta inicial é formar um Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública, a partir do projeto anterior liderado pela Joseti e descontinuado com Temer. A partir também da carta assinada por entidades acadêmicas, que traz um resumo do que era o projeto e exemplos dos centros de pesquisa da NHK e da BBC, que tratam de conteúdos, cultura e também tecnologia, e das possibilidades de parcerias com as universidades brasileiras, como o Diploma de Mídias Públicas que está em andamento pela UBA com a TAL. A proposta é que o formato seja discutido nos comitês, com a EBC e em eventos acadêmicos, para ser lançado oficialmente na Intercom, em setembro, em Brasília”.

A gerente-executiva da Diretoria Geral, Lídia Neves, explicou o que está em andamento dentro da EBC nesse sentido. “Um GT já foi finalizado dentro da Diger. A proposta é transformar a EBC em uma ICT, que tem a possibilidade de buscar recursos de outras formas. Pra isso, foram levantadas todas as ações de inovação feitas nos setores da empresa, incluindo tecnologia, processos e conteúdos. Ainda precisa ser aprovado na Direx e no Consad”. Lídia disse ser favorável a organizar esse centro proposto nos comitês a partir das universidades e vinculado aos comitês, atendendo a uma demanda social, independente do que for feito dentro da EBC. Ela se dispôs a difundir a carta entre as universidades que integram a RNCP.

Juliana explicou o mecanismo de uma rede de pesquisa, que reúne grupos em torno de um mesmo tema e que pode incluir uma entidade parceira. “Isso poderia ser construído a partir das universidades e incluir a EBC como parceira, para institucionalizar e facilitar o acesso dos pesquisadores às informações e às pessoas da empresa, para que os acadêmicos consigam ter acesso ao material desejado independente da direção do momento”. Ela se dispôs a difundir a ideia na Socicom.

A jornalista da EBC Kariane Costa explicou que está para ser aprovada a Política de Inovação da EBC, passo necessário para abrir caminho para o ICT. Mas que, além disso, está previsto também um núcleo de inovação, então o primeiro passo seria entender como as duas propostas podem convergir ou se complementar.

Pedro sugeriu que os comitês sejam responsáveis pela articulação dessa rede proposta pela Juliana, começando pelo mapeamento dos pesquisadores que trabalham com o tema da Comunicação Pública no Brasil. “Vamos marcar conversas dos comitês com as instituições de pesquisa para amadurecer a ideia e pensar em formatos”.

Ana encaminhou que será pedida uma conversa com o diretor-geral da EBC, David Butter, para entender o que está sendo construído pela EBC e como as duas propostas podem se complementar ou ser unificadas.

 

Campanha de divulgação 

Eloísa explicou que, em uma conversa entre os presidentes dos comitês e o diretor-geral, foi combinado o desenvolvimento de uma campanha de divulgação do Sistema Nacional de Participação Social na Comunicação Pública (Sinpas).

A gerente de marketing Ana Carolina apresentou a proposta, que foi feita baseada em ideias como representatividade, fortalecimento da democracia, diálogo, pluralidade e pertencimento. Foi apresentado o manifesto que embasou a proposta:

“A comunicação pública nasce do interesse público. E interesse público começa na escuta. Depois de anos de silêncio institucional, a participação social volta a ocupar seu lugar. Pessoas diferentes. Ideias diferentes. Experiências diferentes. Construindo juntas uma comunicação mais plural. O SINPAS abre caminhos para que a sociedade participe, proponha, dialogue e transforme. Porque comunicação pública não se faz sozinha”.

Foi apresentada uma peça em áudio que será veiculada nas rádios e encaminhada também para as emissoras da RNCP e a sugestão de revitalizar a página da EBC destinada à participação social, com a simplificação da URL.

A conselheira Cibele Tenório destacou a necessidade de simplificar as siglas e falar para um público externo, que não conhece o tema da comunicação pública. Também sugeriu que no lugar de banco de imagens, sejam utilizadas imagens dos próprios conselheiros, para dar materialidade e identificação do público com os Comitês.

Ouvidoria

A ouvidora da EBC, Roberta Dante, disse que o relatório bimestral foi apresentado ao Consad já com a presença da nova presidenta. “Reportei aos conselhos que a questão dos problemas no sinal é perene, está sempre presente. A volta do Memória Nacional foi cobrado, temos muitos elogios ao Natureza Viva e ao Viva Maria, então, como a Mara Régia está para se aposentar, é preciso ser pensado a respeito dessa possível lacuna. As pessoas se referem a ela como uma pessoa da família. A gente trouxe a questão do Datena de forma ainda incipiente, porque o relatório abarca um período que foi até logo depois da estreia. Mas recebemos muito mais reclamações a respeito, como sobre o perfil do apresentador, a falta de afinidade com a comunicação pública e gente que diz que prefere música do que duas horas de notícia”.

Cibele destacou que o problema com o apresentador José Luiz Datena vai além do simbólico. “Vários veículos reportaram a forma como ele trata o próprio veículo, reclamando que ninguém ouve, ele é grosseiro com os repórteres. É muito ruim pra gente, no aniversário de 90 anos da Rádio Nacional, a sua principal estrela agir assim. Nós discutimos aqui sobre isso e foi falado que era pra esperar pra ver como seriam os programas”.

Roberta destacou que seria oportuno fazer uma campanha transversal sobre os 90 anos. Lídia informou que isso vai ser feito. Cibele disse que questionou a presidenta sobre as comemorações, diante da intenção do presidente anterior de fazer grandes eventos, como o encerramento do Festival de Música com um grande show. “Antonia falou que existia uma perspectiva de um gasto que era muito alto e provavelmente não vai acontecer do tamanho que estava previsto. Mas que vai ter sim”.

Finalizando a reunião, Kariane deu informes sobre o programa Pró-equidade de Gênero e Raça da EBC, que recebeu o terceiro selo do governo federal. “Nós produzimos um relatório a respeito, que vamos encaminhar pra vocês, pois tem muita relação com os comitês. A entrega será dia 25 de maio. Não é o primeiro selo que a gente ganha, é o terceiro, tivemos um hiato durante o governo Bolsonaro. A política de equidade está para ser aprovada e temos conseguido avançar em bastante coisas”.

Ana informou que a presidência do Cpadi está encaminhando o pedido de informações sobre o edital da TV Brasil e o não cumprimento das cotas, que foi aprovado na reunião passada.

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