Por Carol Barreto, jornalista da EBC

Em comemoração ao Dia da Imprensa, no dia 07 de junho, o Sem Censura fez um programa inteiramente dedicado ao ofício jornalístico. Seria de se esperar que na bancada do programa estivessem presentes diversos jornalistas dos veículos da casa, certo? Errado! Infelizmente, reina um grande complexo de vira-lata na EBC e o que se viu foi uma invasão de globais e ex-globais: Sônia Bridi, Tino Marcos e Paulo Zero. Da EBC, só Luciana Barreto – que nos representa muito bem, mas não é concursada. Do quadro, só sentou nessa bancada como entrevistada, mais de dois anos após a reestreia, Mara Régia, que é uma sumidade e já deveria ter estado ali muito antes.

A coisa é tão louca na EBC… será que alguém consegue imaginar a Globo fazendo programa semelhante e chamando três jornalistas da Record? Não, né? Pela simples razão de que isto jamais aconteceria. Mas na atual fórmula de sucesso do “Sem Censura”, tem que ter sempre muito global na bancada. O programa foi bacana, os convidados acrescentaram, Sônia Bridi é uma jornalista que poderia ser da mídia pública, trabalhando na privada… mas com a nossa participação teria sido melhor. Não reside nesta afirmação nenhum egocentrismo. Apenas é regra de ouro em qualquer empresa de comunicação do planeta que se utiliza espaços como esse para valorizar os profissionais da casa e divulgar os próprios produtos. Infelizmente, não na EBC.

Considerando que o último concurso para jornalista da EBC foi em 2011, os últimos a serem convocados têm mais de dez anos de atividade na empresa. Muita gente cheia de boas histórias para contar, colegas premiados, currículos respeitáveis… mas infelizmente nada disso é capaz de nos garantir sequer um mísero lugar na bancada do “Sem Censura”. Isso porque somos donos de um Prêmio Vladimir Herzog coletivo, pela resistência à censura na EBC nos governos Temer e Bolsonaro, que documentamos em quatro dossiês de censura. Alguns dos jornalistas da casa – inclusive esta que vos escreve – se destacaram pelo número de denúncias feitas aos dossiês. E ainda assim, essa maravilhosa história de luta contra a censura na democracia permanece desconhecida do grande público e não merecedora de um espaço para ser contada num “Sem Censura” dedicado ao Dia da Imprensa.

Uma pena e uma ironia que no “Sem Censura” não haja espaço para falarmos da censura vivenciada na EBC no passado recente. Seria bom para exorcizar fantasmas – alguns dos quais inclusive seguem em cargos de chefia nesse governo de “união e reconstrução”. E la nave va.

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