Ao reproduzir postagens que tratam a medida sob uma ótica meramente informativa e corporativa, a mídia pública falha

Por Luis Nassif para o GGN

Enquanto o presidente Lula levanta o discurso da soberania e tenta despertar o país para a defesa intransigente da autodeterminação dos povos — um tema que em democracias maduras como o Canadá mobiliza governo, oposição, partidos e imprensa de forma transversal —, o Brasil assiste a um paradoxo em sua comunicação pública.

O episódio mais recente na Venezuela representa um ataque sem precedentes à soberania nacional na América Latina. Sob a tutela direta de Washington após a captura do presidente Nicolás Maduro, a administração interina instalada no país firmou acordos que transferem o controle de reservas petrolíferas estratégicas para os Estados Unidos. Trata-se de uma reconfiguração colonial da matriz energética venezuelana, disfarçada de “acordo histórico”.

Nesse cenário, a reação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) — veículo oficial do Estado brasileiro — revelou uma cobertura distantes da gravidade dos fatos. Ao reproduzir postagens que tratam a medida sob uma ótica meramente informativa e corporativa, focada em “investimentos” e “aumento de produção”, a mídia pública falha em contextualizar o impacto geopolítico e a violação da soberania venezuelana.

A cobertura acrítica de acordos obtidos sob coação internacional enfraquece a própria diplomacia brasileira, gerando uma contradição entre a política externa soberanista defendida pelo Executivo e o conteúdo veiculado pelos canais oficiais de comunicação.

 

Publicação original: https://jornalggn.com.br/midia/como-a-ebc-tratou-da-tomada-do-petroleo-da-venezuela-pelos-eua/

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