No último dia 28, o Sem Censura, programa da TV Brasil, chegou à marca de 600 edições sob o comando da apresentadora Cissa Guimarães, um marco importante na retomada da programação da emissora, depois de anos em que, sob o governo Bolsonaro, o programa foi vilipendiado e descaracterizado. Em seu perfil no Instagram, a presidenta da EBC, Antônia Pellegrino, comemorou o feito deixando claro que a decisão de trazer o programa de volta tem a ver com um gesto individual da diretora, tomado “ainda na Diretoria de Conteúdo e Programação”.
É evidente que Antônia tem mérito na retomada de um programa histórico, de formato consolidado, que soma 40 anos de história desde sua estreia em 1985 e que há décadas faz companhia aos brasileiros nas tardes da semana. Mas o que estranha é a necessidade recorrente da ex-diretora e atual presidenta de fazer tudo girar em torno de si, como se quatro décadas de trajetória coubessem dentro de uma decisão pontual sua. A pergunta que fica é se pode um alto dirigente da administração pública utilizar a máquina pública para se autopromover.
Cabe a quem dirige uma instituição pública o dever de blindá-la contra os excessos do próprio ego, de saber, o tempo todo, que o cargo não é extensão da biografia pessoal, mas função a ser exercida a serviço de algo maior e mais duradouro do que qualquer gestão individual. Vale lembrar que um dos princípios da administração pública, previsto na Constituição Federal, é o da impessoalidade. Na literatura sobre a administração pública, o personalismo é tratado como disfunção institucional: gera descontinuidade de projetos, vaidade administrativa e enfraquecimento de critérios técnicos em favor de decisões centradas na figura do gestor.
É esse cuidado básico que parece escapar a Pellegrino. Sua atuação sugere um desconhecimento, ou um desinteresse, pelos ritos que a função de gestora pública exige: a discrição institucional, a distinção entre o que é do cargo e o que é da pessoa, o zelo com a impessoalidade que deveria orientar cada gesto de quem dirige uma empresa pública federal. Alguns episódios ilustram esse padrão.
Publi nas redes
Em maio deste ano, a presidenta da EBC esteve presente, a convite do Google Gemini, em um camarote para o show de Shakira, no Todo Mundo no Rio, evento no qual a big tech atuou como patrocinadora oficial, com investimento de R$ 9 milhões e ativações de marca em Copacabana. A própria Pellegrino publicou em seus stories: “@googlegemini convidou mulheres incríveis pra assistirem @shakira”, divulgando, com entusiasmo pessoal, a ação de relações públicas de uma empresa privada.
O problema não é frequentar um show ou aceitar um convite social. O problema é a posição institucional de quem aceita: ela não é uma convidada qualquer, mas a presidenta de uma empresa pública federal, subordinada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o mesmo órgão do governo que, naquele mesmo período, conduzia uma agenda regulatória dura contra as big techs. Em maio de 2026, o presidente Lula assinou decretos endurecendo as regras para redes sociais e ampliando a fiscalização sobre essas plataformas, medida que gerou reação pública de entidades que representam justamente empresas como o Google.
Uma dirigente pública que aceita hospitalidade de uma big tech, e ainda a promove nas próprias redes, no exato momento em que o governo do qual ela faz parte trava um embate regulatório com essa mesma empresa, cria uma situação de conflito de interesse, ainda que não configure ilegalidade. A impessoalidade não protege apenas contra o uso indevido de recursos públicos, ela também exige prudência em relação a vantagens, convites e vínculos que possam comprometer a percepção de independência do gestor.
Uso político
Outro episódio envolve o uso direto da grade da TV Brasil para amplificar interesses eleitorais privados. Em junho, o jornalista José Luiz Datena, contratado pela EBC para apresentar o programa semanal “Na Mesa com Datena“, recebeu como convidado Marcelo Freixo, marido de Antônia Pellegrino, para uma entrevista de perfil sobre sua trajetória política e o lançamento de seu novo livro.
Freixo já era, à época, pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Datena, por sua vez, também estava em vias de se tornar pré-candidato. Ou seja: um apresentador contratado pela EBC, prestes a deixar o cargo para disputar uma vaga na Câmara, entrevistou em rede pública, com todo o tempo e a produção de um programa de perfil, o marido da própria presidenta da emissora, outro pré-candidato à mesma Câmara.
É uma estrutura de troca de favores dentro da máquina pública, visibilidade trocada entre dois homens em posição de barganha política mútua, sob a gestão de quem tinha interesse pessoal direto no resultado eleitoral de um deles.
Defeso eleitoral
Em julho, a EBC retirou do ar mais de 180 mil conteúdos dos veículos públicos, com os mais afetados sendo a Radioagência Nacional e a Agência Brasil, em decorrência de uma interpretação sobre as vedações do defeso eleitoral previstas na Lei 9.504/1997. A medida gerou críticas por parte de várias entidades da sociedade civil e da comunicação, de jornalistas e dos próprios trabalhadores da empresa.
Em resposta, a presidenta da EBC publicou, na própria Agência Brasil, um texto assinado defendendo a decisão e propondo uma leitura própria da lei para a comunicação pública. O problema não está no mérito do argumento jurídico, pode ser um debate legítimo sobre a aplicação da legislação eleitoral ao jornalismo público. O problema é o veículo escolhido para travá-lo. A Agência Brasil é um veículo noticioso, não um espaço editorial de opinião de dirigentes. A EBC dispõe de site institucional próprio, destinado justamente a prestações de contas, comunicados e posicionamentos oficiais da gestão, que seria o canal adequado para esse tipo de manifestação.
Usar a Agência Brasil para isso significa emprestar a credibilidade jornalística de um veículo público a um texto de defesa pessoal, borrando a fronteira entre jornalismo e comunicação institucional de gestão, precisamente a fronteira que, segundo o próprio texto publicado, deveria distinguir a EBC de um órgão de propaganda governamental. Nenhum outro presidente da EBC ousou usar a Agência Brasil para se promover dessa forma.
Futebol feminino
Quem acompanha entrevistas de Pellegrino também está acostumado a vê-la orgulhar-se da presença do futebol feminino na TV Brasil. É comum ouvir que só quando uma mulher assumiu a diretoria de conteúdo e programação da EBC o gênero ganhou espaço. A história desmente essa narrativa: a TVE Brasil, emissora incorporada à TV Brasil na criação da EBC em 2007, já transmitia edições da Taça Brasil de futebol feminino nos anos 1980, e a própria TV Brasil, sob a EBC, transmitiu parte da Copa do Mundo Feminina de 2015, quase uma década antes de Pellegrino assumir qualquer cargo na empresa.
Além disso, a expansão mais recente da cobertura acompanha um movimento estrutural do próprio futebol feminino brasileiro, e não o inverso: o número de competições nacionais cresceu 50%, o de clubes participantes 36%, e o de partidas quase dobrou. Atribuir esse crescimento a uma decisão pessoal inverte a relação de causa e efeito, além de apagar tanto a história da própria emissora quanto o protagonismo de atletas, clubes e da CBF nesse processo.
Redes pessoais “oficiais”
É evidente que gestores públicos podem e devem ser atuantes nas redes sociais, mas, no caso de Pellegrino, ela parece extrapolar e fazer do espaço o próprio canal de relação entre ouvintes, leitores e telespectadores dos veículos da EBC e a empresa. Em diversas postagens, Antônia convoca seus seguidores a apontar suas opiniões sobre os veículos da EBC através dos comentários em seu perfil pessoal.
A EBC tem, hoje, uma estrutura institucional completa para escutar o público: além da Ouvidoria, existe o SINPAS (Sistema Nacional de Participação Social na Comunicação Pública), formado pelo Comitê Editorial e de Programação (Comep) e pelo Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (CPADI), instalados em 2025, após nove anos de interrupção dos colegiados de participação social, desde a extinção do Conselho Curador em 2016. É uma arquitetura democrática pronta, legítima e à disposição da gestão.
Em vez de fortalecer e dar visibilidade a esses canais, a prática recorrente é abrir esse espaço em seu perfil pessoal no Instagram, atuando mais como influenciadora digital do que como gestora pública, quando o papel esperado seria o inverso.
Outro problema é que o conteúdo produzido para as redes sociais pessoais da presidenta da EBC parece ser custeado com dinheiro público. Jota Marques, comunicador e educador popular, é debatedor fixo do Sem Censura e também assessor da presidência da EBC, contratado na forma de função comissionada. Na prática, porém, boa parte de sua rotina parece dedicada a acompanhar a presidenta pelos corredores, eventos e bastidores da EBC, registrando seu dia a dia numa espécie de reality show pessoal. Para tal tarefa, ele recebe R$ 10.721,79 por mês.
Caso Pellegrino deseje continuar atuando como gestora pública, é recomendável que dê fim a qualquer uso que confunda interesse público com capital político pessoal. Bons gestores fazem questão de fortalecer as instituições que comandam sem a necessidade de aparecer, e costumam ter a humildade de dar crédito e jogar os holofotes para o corpo funcional que faz a máquina girar. Antônia, se quiser continuar no serviço público, ainda tem muitas lições pela frente.

Como fui citado nominalmente neste texto, preciso fazer alguns esclarecimentos. E faço isso não apenas em defesa da minha atuação profissional, mas também porque considero importante discutir a maneira como um trabalhador é apresentado numa publicação que reivindica, justamente, a defesa dos direitos dos trabalhadores da EBC.
O texto afirma que “boa parte” da minha rotina seria dedicada a acompanhar a presidenta da empresa “pelos corredores, eventos e bastidores”, produzindo uma espécie de “reality show pessoal”, e conclui a passagem informando que, “para tal tarefa”, eu receberia R$ 10.721,79 por mês.
Há um problema elementar aí: ninguém me procurou para saber qual é a minha rotina, quais são as minhas atribuições, quais trabalhos desempenho ou quais entregas faço para a empresa. Uma interpretação foi transformada em descrição objetiva do meu trabalho e, em seguida, minha remuneração foi utilizada para dimensionar essa suposta atividade.
Por isso, já que meu salário foi tornado argumento público, acho justo colocar os números no devido lugar.
Os R$ 10.721,79 citados correspondem à remuneração bruta da minha função de confiança. Não é o valor líquido que recebo. No meu contracheque de agosto, por exemplo, meu salário líquido foi de R$ 9.930,55.
Meu contracheque também contém outras duas rubricas: auxílio de assistência médica e um auxílio destinado à pessoa com deficiência, previsto em acordo coletivo. Sou uma pessoa com deficiência e esse auxílio é um direito trabalhista. Não é salário adicional pela atividade que o texto resolveu atribuir a mim, não é bonificação pela produção das redes sociais de ninguém e, sobretudo, não deveria aparecer, ainda que indiretamente, no campo semântico do privilégio ou do desperdício de dinheiro público.
Faço questão de dizer isso porque há algo que me incomoda profundamente nessa escolha. Direitos conquistados por trabalhadores, entre eles direitos destinados às pessoas com deficiência, não podem ser tratados como suspeitos quando pertencem a um trabalhador de quem se pretende fazer uma crítica.
É perfeitamente legítimo questionar a gestão da EBC, suas escolhas, seus dirigentes e a utilização dos recursos públicos. O que não me parece legítimo é escolher um trabalhador como personagem dessa crítica, afirmar sem apuração aquilo que ele supostamente faz durante sua jornada e colocar sua remuneração ao lado dessa caricatura para produzir no leitor a ideia de que aquele salário é pago “para tal tarefa”.
Eu trabalho na EBC. Tenho uma função, uma jornada, responsabilidades e entregas que não se resumem ao que foi descrito no texto. Se havia dúvidas sobre qualquer uma delas, eu poderia ter sido procurado. Não fui.
E isso, para mim, é especialmente contraditório quando acontece num espaço construído por trabalhadores e que historicamente reivindica respeito, direitos e condições dignas para os trabalhadores da EBC.
Não peço imunidade à crítica. Muito menos tratamento especial. Peço apenas aquilo que qualquer trabalhador deveria poder esperar antes de ter seu nome, seu trabalho e seu salário utilizados como argumento: apuração, contexto e direito de ser ouvido.
Esse povo da Ebc tem tempo, né?
Se não ficassem tão focados em reproduzir conteúdo misógino e fossem trabalhar realmente a Ebc não seria esse amontoado de funcionário que trabalha pouco e reclama muito.
Se tivessem focando na busca por excelência não tavam c tempo d e postar porcaria misógina.
Jota,
Antes de qualquer coisa, a gente entende que você ficou chateado em ter sido citado nominalmente no artigo “Quando o personalismo contamina a comunicação pública” e em ver o seu salário exposto ali. Ninguém gosta de ser personagem de uma crítica pública, e essa parte da sua reação a gente compreende. Ainda que você ocupe um cargo de confiança em uma empresa pública, sua remuneração é dado público por definição.
Mas essa nota não é para discutir seu salário ou suas funções na EBC. É porque você falou da luta dos empregados PCD.
E é justamente por isso que a gente precisa dizer o quanto não gostou de ver o auxílio PCD colocado nessa discussão. Essa pauta é muito cara para a gente. É fruto de muita luta, de muito suor e muita lágrima, e não dá para aceitar que ela seja usada assim, de graça, como argumento de uma defesa pessoal. Isso esvazia a luta.
O ACT que você cita com tanta propriedade não caiu do céu. O auxílio, a assistência médica, as cláusulas de adaptação, nada disso veio fácil. Foi tudo arrancado à base de assembleia, mobilização e greve, ano após ano, sempre com a ameaça de perder o pouco que foi conquistado.
A EBC não cumpre a cota legal de contratação de pessoas com deficiência, e isso é uma cobrança antiga deste coletivo. Enquanto isso, a presidenta Antônia Pellegrino, ao contrário de todos os presidentes que passaram pela empresa, nunca recebeu o nosso coletivo, nunca recebeu o comitê de acessibilidade. As portas que se abrem para a produção de conteúdo nas redes pessoais nunca se abriram para as pautas de acessibilidade e de inclusão.
Por isso a gente quer estender um convite. Você escolheu este momento para se assumir como pessoa com deficiência e para falar da nossa luta. Então que seja de verdade. Você ocupa um lugar e um espaço que a maioria de nós não ocupa: é PCD e é assessor da presidenta. Se quiser se juntar a nós e fazer essa ponte, aproveitando esse espaço para levar as nossas pautas até quem hoje não nos recebe, a gente vai gostar muito. As portas do coletivo estão abertas para você do mesmo jeito que estão abertas para qualquer PCD da empresa.
Gostaríamos de coerência. Se a bandeira PCD merece respeito na hora em que te defende, que ela mereça o mesmo respeito na assembleia, na mesa de ACT, na cobrança da cota, na sala de autorregulação. Que ela apareça na luta. E se você quiser aparecer na luta, a gente estará aqui e gostaríamos de tê-lo conosco.
Coletivo de Raros e PCDs da EBC
Ao Coletivo de Raros e PCDs da EBC,
Li com atenção a manifestação de vocês e quero responder a alguns pontos.
Tenho respeito pela luta dos trabalhadores e trabalhadoras que conquistaram o auxílio PCD e outras garantias previstas no ACT. São direitos construídos ao longo de anos de organização, negociação, assembleias e mobilização, parte deles antes mesmo da minha chegada à EBC. Tenho direito a essas conquistas e faço uso delas.
E é justamente aí que está uma das nossas divergências. Ao mencionar o auxílio PCD, eu explicava minha própria remuneração, porque ela havia sido usada como argumento num texto que falava diretamente sobre mim e sobre o trabalho que eu supostamente realizo. Não estava reivindicando para mim a história dessa conquista, nem diminuindo a luta de quem a tornou possível.
Ocupo uma função de confiança numa empresa pública e sei que minha remuneração é pública. O que me incomodou foi a forma como essa informação foi apresentada. No artigo que deu origem a essa discussão, meu nome, uma descrição do trabalho que eu supostamente realizo e o valor da minha remuneração aparecem associados, com a afirmação de que eu receberia aquele valor “para tal tarefa”. Se meu salário é usado para sustentar essa crítica, é legítimo explicar o que recebo e distinguir remuneração de direitos trabalhistas presentes no meu contracheque. Entre eles, o auxílio destinado às pessoas com deficiência, previsto no nosso acordo coletivo.
Há uma frase da manifestação do coletivo que me atingiu particularmente: a de que eu teria “escolhido este momento para me assumir como pessoa com deficiência”.
Não foi neste momento.
Sou uma pessoa com deficiência, diagnosticada desde a infância, e minha atuação pública nessa pauta vem de muito antes.
Sou membro fundador do Vidas Negras com Deficiência Importam, o VNDI. Há anos atuo na intersecção entre raça e deficiência como educador, comunicador, na formação de lideranças e na incidência política e institucional. Também faço parte da construção da Escola Flávia Diniz de Formação de Líderes, voltada à formação de pessoas negras com deficiência e que agora chega à sua segunda edição.
Essa trajetória também passou por espaços internacionais. Em 2024, estive em Genebra, no Fórum das Nações Unidas sobre Questões Minoritárias. Em 2025, participei do Global Disability Summit, em Berlim, e representei o VNDI no Disability-20, na África do Sul, no contexto da agenda do G20.
Uma pessoa com deficiência não precisa apresentar currículo de militância para falar sobre seus direitos. Cito essa trajetória porque foi dito publicamente que eu “escolhi este momento para me assumir”, e isso não corresponde à minha história. Não é confortável expor partes da minha vida para fazer essa correção, mas prefiro fazê-la a deixar que se consolide sobre mim uma versão que não é verdadeira.
Sou um homem negro, vindo da Cidade de Deus, sou uma pessoa com deficiência e hoje ocupo um cargo de assessoria na EBC. Isso não me isenta de crítica. Mas a trajetória que me trouxe até aqui também não desaparece por causa do cargo que ocupo hoje.
Recebo com respeito o convite feito pelo coletivo e não tenho dificuldade em conversar em momento oportuno. Isso não significa aderir às críticas dirigidas à presidenta ou à gestão da EBC, nem muda minha posição em relação a elas. Estou respondendo por mim.
Minha manifestação começou porque fui citado nominalmente, porque meu trabalho foi descrito sem que eu fosse ouvido e porque minha remuneração foi usada para reforçar aquela descrição. Agora, diante do que foi dito sobre a minha relação com a deficiência, achei necessário também demarcar a minha história.
Posso reconhecer e respeitar a luta travada pelo coletivo, inclusive por direitos dos quais hoje sou beneficiário, sem aceitar ser colocado num lugar que não é o meu.
Jota Marques
Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2026.