Nós, jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), abaixo assinados, manifestamos nossa preocupação com as constantes mudanças na gestão da Empresa, que fragilizam a efetividade das políticas para reconstrução da comunicação pública brasileira. Em pouco mais de três anos, tivemos quatro diferentes diretores-presidentes nomeados pelo governo Lula, com o último ficando apenas sete meses no cargo.
Diante desse cenário, apelamos para que o governo federal e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República avaliem com inteligência e cuidado, ouvindo os trabalhadores da empresa, o próximo escolhido a liderar a companhia. Avaliamos que é fundamental que o perfil do novo diretor-presidente esteja alinhado com a missão constitucional da EBC, garantindo a autonomia no desempenho de suas funções e o compromisso com a missão da empresa.
Aproveitamos o atual momento, em que estão sendo especulados nomes para o cargo de presidente da EBC, para apresentar alguns requisitos que consideramos relevantes para a pessoa a ser indicada como gestora da Empresa.
É preciso compromisso com o pluralismo, a diversidade, a inclusão e com o fortalecimento do debate democrático. A comunicação pública tem o dever de ampliar as vozes dos movimentos sociais e das organizações da sociedade civil, garantindo autonomia editorial em relação ao governo.
Para tanto, é preciso que a programação das emissoras públicas seja voltada à defesa da infância, do meio ambiente, dos trabalhadores, dos direitos humanos e ao combate a todos os tipos de preconceito – racial, de gênero ou contra a população LGBTQIA+, por exemplo. Além disso, destaca-se a necessidade de defesa da democracia, tão abalada por tentativas de golpe de Estado e ataques às instituições.
No caso da comunicação governamental, braço também relevante da EBC e da democracia, vivemos o desafio de apresentar, aos cidadãos brasileiros, de forma transparente, os programas de políticas públicas do governo federal, como forma de acesso à informação e prestação de contas.
Nossos profissionais carregam a experiência de décadas de atuação na comunicação pública, mesmo frente à redução de mais de 30% do quadro efetivo da Empresa nos últimos 10 anos.
Além disso, em um cenário como o atual, repleto de desinformação, narrativas e vieses algorítmicos, a EBC é, sem dúvida, estratégica para promover a educação midiática da população brasileira, com informação responsável que conecta todas as regiões e culturas do país. Ao contrário do mercado e dos veículos privados, enxergamos nosso público como cidadãos – e não como consumidores.
Defendemos que neste momento a Empresa continue a ser presidida por uma ou um jornalista. Foi grande a diferença do compromisso em informar a população entre presidentes da área do jornalismo e os de outra formação. O ex-presidente André Basbaum vinha investindo no setor após anos de descaso, sendo fundamental priorizar o jornalismo para enfrentar o complexo cenário de desinformação que vivemos.
O perfil para um novo presidente ainda demanda compromisso inequívoco com a ética, a imparcialidade, o pluralismo e a qualidade da informação, bem como visão clara da distinção entre comunicação pública, orientada pelo interesse público, e comunicação governamental, de caráter institucional.
Espera-se capacidade de liderar a Empresa em contextos de polarização política, conduzir processos de reconstrução institucional e enfrentar a desinformação. É preciso saber dialogar e construir relações respeitosas com as entidades representativas do corpo funcional e da sociedade. É fundamental que se evitem perfis hostis aos trabalhadores e às trabalhadoras da EBC, como muitas vezes tem sido observado.
Vale lembrar que os próximos meses serão repletos de desafios de gestão, que vão da definição de um plano robusto para cobertura das eleições até as negociações trabalhistas para atualização do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Também é requisito a habilidade de articulação com os Três Poderes da República, com a sociedade civil e com os integrantes da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), visando sua expansão e fortalecimento.
Ademais, é fundamental que tenha compromisso com a diversidade regional, cultural e social na programação; que dê atenção às inovações tecnológicas; e que mantenha diálogo aberto e permanente com os trabalhadores da EBC e suas entidades representativas.
Por fim, reconhecemos os avanços ocorridos durante a gestão do ex-presidente André Basbaum. Ainda que tenhamos críticas sobre determinadas ações – incluindo a contratação de José Luiz Datena, que não representa o histórico de proteção de direitos humanos, princípio previsto na lei da EBC –, a gestão de André Basbaum conseguiu um feito notável ao implementar o novo Plano de Cargos e Salários (PCS), demanda de mais de 10 anos dos trabalhadores e trabalhadoras da EBC.
Soma-se a isso o fato de a experiência de André Basbaum, ao longo de décadas no jornalismo, dar a ele conhecimentos essenciais sobre o funcionamento de uma empresa de comunicação – o que não é possível em perfis profissionais alheios à nossa atividade-fim. Também foi um fator positivo o trânsito nos meios midiático e político.
Em resumo, os e as profissionais abaixo-assinados/as esperam que o governo enfim encare a EBC com a importância e seriedade devidas, nomeando, em seu cargo máximo, um gestor ou gestora disposto/a a criar um sólido projeto de comunicação verdadeiramente pública, com um novo olhar para nossas potencialidades e integrando os funcionários efetivos da Empresa nesse desafio.
Quinta-feira, 9 de abril de 2026.
Assinam:
1. Akemi Nitahara
2. Ângela Andrade
3. Alex Ribeiro
4. Alex Rodrigues
5. Alessandra Lago
6. Aline Barbosa
7. Aline Leal
8. Amâncio Ronqui
9. Ana Passos
10 Andreia Verdélio
11. Anna Karina de Carvalho
12. Antonio Trindade
13. Beatriz Arcoverde
14. Bia Paiva
15. Bruna Saniele
16. Carolina Pavanelli
17. Carol Barreto
18. Cezar Faccioli
19. Clarice Basso
20. Claudio E. A. da Matta
21. Cris Oliveira
22. Daniel Ito
23. Daniel Lima
24. Daniella Almeida
25. Daniella Ribeiro Longuinho
26. Denise Griesinger
27. Dylan Araujo
28. Élida Albuquerque
29. Eliane Gonçalves
30. Érica Santana
31. Eusébio Gomes
32. Fabíola Sinimbú
33. Felipe Pontes
34. Fernando Frazão
35. Flávia Grossi
36. Flávia Peixoto
37. Gabriel Corrêa
38. Gabriela Noronha
39. Geylson Antonio de Sousa Paiva
40. Gésio Passos
41. Gilberto Costa
42. Gilson Machado
43. Giselly Glads
42. Glauco de Queiroz
45. Guilherme Jeronymo
46. Guilherme Strozi
47. Gustavo Pereira Gomes
48. Isabela Vieira
49. Iuri Guerrero
50. Ivan Richard
51. Joana Côrtes
52. Jonas Valente
53. Juliana Andrade
54. Juliana Maya
55. Kátia de Paiva Gomes
56. Lana Cristina do Carmo
57. Larissa Antonielle
58. Leandro Martins
59. Leyberson Pedrosa
60. Ligia Souto
61. Lucas Krauss
62. Lucas Pordeus León
63. Luana Karen
64. Luciana Vinha do Valle
65. Luciano Nascimento
66. Luís Cláudio Ferreira
67. Luiz Fernando Fraga
68. Luísa Caetano
69. Madson Euler
70. Maíra Heinen
71. Manuela Castro
72. Marcelo Brandão
73. Marcelo Camargo
74. Marcelo Padovan
75. Marcio de Andrade
76. Márcio Garoni
77. Maria Cláudia Mello
78. Mariana Tokarnia
79. Mariana Vitarelli
80. Mirna Ledo
81. Monica Maia
82. Nanna Pôssa
83. Nathália Mendes
84. Patrícia Serrão
85. Paula Laboissiere
86. Paulo La Salvia
87. Pedro Lacerda
88. Pedro Peduzzi
89. Pedro Rafael Vilela
90. Pedro Rezende Ballalai
91. Pollyane Marques
92. Priscila Mendes
93. Priscila Thereso
94. Priscilla Mazenotti
95. Raíssa Lopes
96. Raíssa Saraiva
97. Rafael Cardoso
98. Rafael Guimarães
99. Ramon Gusmão
100. Raquel Júnia
101. Renato Ribeiro
102. Roberta Lopes
103. Rodrigo Ricardo
104. Rogério Verçoza
105. Sabrina Craide
106. Sandro Tebaldi
107. Sayonara Moreno
108. Sueli de Freitas
109. Sumaia Villela
110. Talita Cavalcanti
111. Tâmara Freire
112. Tânia Rego
113. Tatiana Alves
114. Thais de Luna
115. Tomaz Silva
116.Valter Campanato
117. Vitor Abdala
118.Vitor Teodoro
119.Vladimir Platonow
120. Walter Lima
121. Wellton Máximo
