A Ouvidoria Cidadã da EBC recebeu uma mensagem de uma ouvinte atenta ao machismo estrutural que forma nossa sociedade. Ela relata um caso do chamado manterrupting e mansplaining, cometido pelo apresentador José Luiz Datena no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, no dia 26 de fevereiro.

Conheça melhor os termos, incluindo outro associado aos primeiros, o gaslighting, conforme uma publicação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais:

Mansplaining – é uma mistura de dois termos em inglês: “man” (homem) e “splaining” (explicando, em linguagem informal), que se refere à situação em que um homem começa a explicar algo para uma mulher, mesmo sem necessidade, subestimando sua capacidade de compreensão. Isso acontece quando um homem tenta ensinar coisas óbvias para uma mulher, como se ela não conseguisse entender sozinha, ou ainda quando o homem decide explicar para a mulher algum tópico em que ela possui muito mais conhecimento.

Manterrupting – mistura “man” (homem) com “interrupting” (interrompendo). Ocorre quando um homem interrompe a fala de uma mulher com frequência, muitas vezes a ponto de ela não concluir o seu raciocínio.

Gaslighting – é uma forma de abuso psicológico na qual um manipulador faz com que a vítima comece a questionar sua própria realidade. Ela começa a duvidar da própria memória ou até mesmo da sua sanidade.

 

Abaixo, a mensagem recebida pela Ouvidoria Cidadã da EBC:

Bom dia.

Hoje de manhã escutei no rádio o programa “Alô Alô Brasil”, apresentado pelo Datena.

Ele falou bastante sobre os homens “covardes” que praticam violência contra a mulher, sobre a necessidade de endurecer das penas para os crimes de feminicídio. Até aí ok.

Mas na sequência, uma mulher quis dar a opinião dela no programa, e o comunicador interrompeu a fala da mulher. Quando percebeu a falha em ter atropelado a fala da mulher, fez o seguinte comentário “peço licença, estou te interrompendo, mas é para ajudar o seu raciocínio”.

Quer dizer, além de interromper a fala de uma mulher, ainda insinuou que o raciocínio da mulher só se daria com a ajuda de um homem.

Estas são atitudes muito típicas do machismo estrutural. Mas para um veículo de comunicação nacional, este fato pode ser reportado ao comunicador, para que evite reincidência na atitude. Sugere-se capacitação em letramento de gênero.

Pois bem, a edição do programa deve ter reparado, pois houve um corte logo após a saia justa e entrou uma música do Raimundo Fagner, cujo refrão diz “não dá pra ser feliz”…

Enfim, com os homens agindo dessa maneira, interrompendo a fala das mulheres em rede nacional, e ainda dizendo que o fazem “para ajudar o raciocínio” delas, não dá mesmo para ser feliz.

Escrevo para o e-mail Ouvidoria Cidadã da EBC, pois tentei escrever para o whatsapp do programa (61) 99989-1201, mas, por algum motivo, houve falha na transmissão das mensagens.

Att,

 

E a resposta enviada à ouvinte:

Olá XXX, boa tarde

muito obrigada pelo contato. A Ouvidoria Cidadã da EBC fica muito feliz com a mensagem, apesar do tema reportado. Este canal é uma iniciativa da sociedade civil, organizada na Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública, não é um canal oficial da Empresa ou da Rádio Nacional. Mas é o canal que tem feito o monitoramento dos conteúdos públicos da EBC e temos acompanhado com muito cuidado o programa Alô Alô Brasil. Você pode acompanhar nosso trabalho (voluntário) na página https://ouvidoriacidadaebc.org/.

Peço licença para publicar sua mensagem na página, sem a sua identificação.

Sobre o programa do dia 25, para piorar a situação, a entrevistada em questão era nada menos do que a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Abraços!

 

OBS. Para entrar em contato com a Ouvidoria-Geral da EBC, o e-mail é: ouvidoria@ebc.com.br. Já para falar com esta Ouvidoria Cidadã da EBC, nosso contato é: ouvidoriacidadaebc@gmail.com.

 

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