Na sexta reunião ordinária de 2026 do Comitê Editorial e de Programação da EBC (Comep), ocorrida nesta quarta-feira (24), os conselheiros tiveram a oportunidade de conhecer os projetos elencados como prioridade para o novo diretor-geral, Thiago Regotto.
O presidente do Comep, Pedro Rafael Vilela, abriu a reunião agradecendo a presença de Mara Régia, nomeada como assessora da Diger e designada para acompanhar os trabalhos dos comitês de participação.
Mara é jornalista e radialista histórica da EBC e apresenta, desde 1981, o programa Viva Maria, sendo pioneira do feminismo na mídia brasileira e referência nas ondas da Rádio Nacional da Amazônia. Ela também é presidente do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da EBC.
Como saudação inicial, Thiago Regotto lembrou que já havia participado de outra reunião dos comitês, enquanto gerente-executivo das rádios, e que acompanhava o trabalho do Conselho Curador, extinto em 2016, como empregado da EBC.
“Eu sei da importância do colegiado e o desafio que nós temos, o que é fundamental pra comunicação em geral, é o diálogo. E sabemos que não existe comunicação pública sem participação social. Contem comigo, é um prazer estar nesse encontro”.
Como informes, Pedro explicou que houve uma nova manifestação do Ministério Público Federal (MPF) sobre a composição do Comep, que continua incompleta, e sobre a falta de produção de conteúdo local pela EBC.
“Isso foi notícia, então a presidência do Comitê decidiu encaminhar um ofício para o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, uma vez que já temos dois novos conselheiros eleitos, para um mandato tampão. Já temos um ano de funcionamento do Comep e temos apenas mais um ano nesse mandato, então é importante dar encaminhamento a essas nomeações o mais rápido”.
A assessora de participação social da EBC, Eloísa Galdino, lembrou que todos os documentos foram encaminhados para a Secom ao final do processo de consulta, mas não houve nenhum retorno. De acordo com a legislação, a nomeação dos membros do Comep precisa ser feita por meio de decreto do presidente da República.
Grupos de Trabalho
Em seguida, Pedro apresentou a proposta de sistematização para os Grupos de Trabalho formados nos comitês de participação para analisar aspectos da EBC. São eles: Acessibilidade, Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), Representatividade e Diversidade, Programação Infantojuvenil, Manual de Jornalismo e Ouvidoria.
“Os GTs vão apresentar os achados que os comitês tiveram nesses 11 meses de trabalho, a escuta dos diretores, de especialistas, o acúmulo nos debates e reflexões. A Rita Freire e a Ana Fleck formularam uma proposta de roteiro de apresentação. Queremos viabilizar uma reunião presencial dos comitês para fazer a apresentação final e fazer algum tipo de evento, como uma audiência pública”.
A ideia é que os GTs apresentem documentos sucintos, com cerca de duas páginas e em tópicos. “Temos o registro das reuniões, que podem ser revisitadas, temos referência em outros documentos, como os da Frente em Defesa da EBC, do próprio Conselho Curador. Queremos apresentar o diagnóstico, apontar problemas e soluções de forma enfática, sem respostas vagas” explicou Pedro.
Eloísa sugeriu que a data para a apresentação dos GTs seja definida na próxima reunião dos comitês, que será realizada em conjunto com o Cpadi, no dia 29 de julho. “Na reunião de julho seria aprovado o cronograma para o segundo semestre. Os comitês aprovariam uma reunião extraordinária para setembro, com prazo até começo de dezembro para finalizar os documentos dos GTs”.
Falando sobre o GT de Programação Infantojuvenil, o conselheiro Érico da Silveira disse que será necessário pedir informações para a EBC. “Queremos a grade de programação, não a que está divulgada no site para o público, mas um documento mais estruturado, falando que episódios foram ao ar, um mapa de acervo, o listão de conteúdos, com informações técnicas, talvez do primeiro semestre de 2026. Estamos consultando estudos e conversando com entidades como o ComKids, a Midiativa. Queremos ter uma ideia qualitativa da grade pra gente ter uma noção sobre a programação infantojuvenil”.
A conselheira Akemi Nitahara, que está no GT de atualização do Manual de Jornalismo, questionou se haveria a presença da nova diretora de jornalismo da empresa, Myrian Pereira, em alguma reunião dos comitês ou ao menos com o GT, para alinhar expectativas e trocar informações sobre o novo planejamento do jornalismo da EBC.
“Também seria pertinente pedirmos informações sobre o planejamento das eleições, para os comitês saberem como será a cobertura dos veículos da EBC. Outra questão, que já foi mencionada por meio de ofício das presidências dos comitês, é retirar o Datena do ar, pois ele continua entrevistando pré-candidatos e ele mesmo é um pré-candidato”.
Pedro informou que há a intenção de ter Myrian em uma reunião dos comitês, “até para ela entender o trabalho dos comitês”, bem como apresentar o planejamento das eleições. Ele lembrou também que as discussões dos comitês encaminharam que os pedidos de informação serão concentrados na diretoria-geral.
Diretoria-Geral
O novo diretor-geral, Thiago Regotto, explicou que fez uma transição de cargo tranquila com o diretor anterior, David Butter, e que não haverá modificações substanciais. De acordo com ele, a Diretoria-Geral é “mais 360 graus, faz um trabalho transversal com as outras diretorias”, e que iniciou um levantamento na empresa para definir as prioridades para cada setor.
“Temos diversas ações que estão sendo tocadas, em conversa com as diretorias, pra saber o que tem de bom e de ruim de cada setor. Quero sempre atualizar o Comep sobre o que a gente está desenvolvendo, o que ainda não foi publicizado, já que temos falhas de comunicação dentro da empresa, eu mesmo já sofri com diversos ruídos”.
Entre as ações, Thiago informou que foi criado um GT, coordenado por ele, para tratar do período eleitoral, “vai ter uma comunicação na semana que vem sobre como a gente está se organizando para cumprir a legislação”. Outro GT foi criado para definir parâmetros para o uso de Inteligência Artificial, coordenado pelo Jonas Valente, nomeado como gerente de Inovação, “vamos solicitar que os comitês indiquem um integrante para esse GT”.
Sobre o questionamento do MPF, Thiago informou que as rádios Nacional de cada praça têm ao menos um programa local e que ele pretende aprofundar na questão do jornalismo. “Não queremos apenas responder ao MPF, mas responder com ações efetivas”. A respeito de Datena, ele disse que o contrato já está sendo encerrado e que a grade aprovada pelo Comitê de Programação e Rede para julho já exclui os programas do apresentador.
A conselheira Juliana Doretto informou que o GT da programação infantojuvenil está conversando com a sociedade civil e com a academia sobre o tema e questionou se haverá transmissão da reunião para apresentar os resultados.
“Se estamos pedindo colaborações, que essas entidades possam acompanhar o resultado do trabalho. A gente teve muita mudança na direção, então temos medo que as coisas se percam. É importante que a gente possa comunicar para a sociedade o que a gente vem fazendo”.
Thiago destacou a importância de se formalizar os processos para que o histórico dos comitês não se percam, “independente de quem está na cadeira”, com a documentação por meio de ofícios.
“Tudo precisa ser perguntado de forma objetiva e respondido de forma objetiva. Fazer a transmissão no formato que tinha no Conselho Curador é difícil, temos muitas restrições agora. Mas se vocês tiverem um cronograma definido, vamos pensar em novembro, pós-defeso eleitoral, criar um evento presencial, como foi o Simpósio de Rádio, para transmitir e deixar tudo registrado”.
Ao final da reunião, Akemi registrou um elogio à série especial 90 anos da Rádio Nacional em 90 histórias e um desagravo ao Datena, que colocou no ar 18 vezes um vídeo que viola os direitos humanos e explora a tragédia humana, o que viola os princípios do serviço público de mídia e o Manual de Jornalismo da EBC.
