Uma reportagem publicada na Agência Brasil no domingo 15 de maio chamou a atenção desta Ouvidoria Cidadã: Saiba como evitar acidentes graves com uso de panela de pressão (https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-05/saiba-como-evitar-acidentes-graves-com-uso-de-panela-de-pressao).

O texto está bem construído, com fontes relevantes e variadas, e traz informações de utilidade pública, como buscar pela certificação do Inmetro na hora da compra, limite de capacidade de água, condições da válvula de segurança e liberação do vapor antes de abrir a panela. Porém, faltou uma justificativa para que a reportagem fosse feita. No começo do texto, até há uma tentativa de explicação:

“Foi o que aconteceu no último Dia das Mães (8), em Ceilândia, cidade a cerca de 30 quilômetros (km) do centro de Brasília. A cozinheira de um restaurante, Jade do Carmo Paz Gabriel, de 32 anos, morreu após a explosão de panela de pressão no restaurante em que trabalhava.”

Porém, apesar de trágico, tal episódio sequer foi noticiado pela Agência Brasil e, estatisticamente, não é relevante. O Correio Braziliense já havia feito a mesma matéria de serviço (https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2022/05/5006539-acidente-com-panela-de-pressao-cria-alerta-sobre-manuseio-do-utensilio.html). Mesmo sites de lojas de departamento que vendem panelas de pressão trazem recomendações sobre o uso do produto (https://www.magazineluiza.com.br/portaldalu/cuidados-com-a-panela-de-pressao/13240/). Portanto, com essa matéria, a ABr sequer atendeu ao critério de complementaridade preconizado pela comunicação pública.

 

Agência Brasil explica

O que nos parece é que a Agência Brasil tem optado por produzir conteúdos frios, assim chamados por não ter nenhuma relação com fatos jornalísticos recentes, no lugar de fazer coberturas aprofundadas sobre temas que têm pouca repercussão na mídia hegemônica ou mesmo contextualizar melhor diversas questões que têm sido dadas de maneira superficial.

Por exemplo, já publicamos aqui que, no mesmo dia em que a Comissão Pastoral da Terra  divulgou o relatório de conflitos no campo (https://ouvidoriacidadaebc.org/conflitos-no-campo-ignorados/), fato ignorado pela Agência Brasil, o portal publicava matérias com base em releases como Doutores da Alegria, cursos online da SBPC e vagas do Programa Petrobras Jovem Aprendiz.

Uma sessão que temos acompanhado é a Agência Brasil explica. Apesar de trazer informações relevantes de serviços, as matérias muitas vezes são frias ou ligadas a repercussões na grande mídia. Exemplos:

–  O que são cookies: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-01/agencia-brasil-explica-o-que-sao-cookies

– Como funciona arrecadação de direitos autorais: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2022-03/agencia-brasil-explica-como-funciona-arrecadacao-de-direitos-autorais

– O que é o retinoblastoma: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-02/agencia-brasil-explica-o-que-e-o-retinoblastoma

– Como funciona a taxa de laudêmio: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-07/agencia-brasil-explica-como-funciona-taxa-de-laudemio

Gostaríamos de voltar a ver na Agência Brasil grandes reportagens especiais, sobre temas urgentes, mas esquecidos por outros veículos. E não apenas explicações sobre assuntos frios ou repercutindo sensacionalismos caça-cliques.

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